Poesia Concreta e Tropicalismo
... do genuíno grão de alegria que destrói o tédio...
(Waly Salomão)
As primeiras observações sobre possíveis afinidades
entre a poesia concreta e a música popular brasileira datam de
1960, quando Brasil Rocha Brito valoriza algumas palavras críticas
de Augusto de Campos em um primeiro balanço interpretativo do
movimento da bossa nova. Comentando composições da tendência
musical surgida da atuação inovadora de João Gilberto,
o criador do poetamenos (1953) concentra a sua análise em duas
estelares canções de Antônio Carlos Jobim e Newton
Mendonça "Desafinado" e "Samba de uma nota só" nas
quais percebe "uma busca no sentido da essencialização
dos textos" e um "processo dialético semelhante àquele
que os poetas concretos definiram como 'isomorfismo' (conflito fundo-forma
em busca de identificação)". Após ter demonstrado
a estreita ligação entre as funções melódico-harmônica
e verbal daquelas duas músicas hoje clássicas, Campos conclui
que a "intencionalidade crítica" de algumas letras da
bossa nova configura "uma tendência que de certa forma (...)
corresponde às manifestações da vanguarda poética,
participando com ela de um mesmo processo cultural". Rocha Brito,
por sua vez, acha que outros textos da bossa nova merecem destaque "por
sua síntese e funcionalidade", chegando a qualificar um deles
de "nitidamente influenciado pelos caminhos da poesia concreta" (1).
Lamentavelmente o autor não transcreve este último texto
no seu trabalho pioneiro.
(...)

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